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17 de outubro de 2011

POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DA ENUNCIAÇÃO DE BENVENISTE PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA


Freire (1982, p.42) afirma que “Toda prática educativa implica numa concepção dos seres humanos e do mundo”. Dessa forma, o professor de língua (estrangeira) também deve ter concepções claras sobre língua/linguagem, sujeito e o próprio processo de ensino-aprendizagerm, uma vez que o modo como são entendidos tais aspectos refletirá na sua prática pedagógica e na educação.
Retomando o pensamento de Benveniste sobre a concepção de língua e linguagem, percebemos que é entendida como o lugar e o fundamento da subjetividade, e esta, por sua vez, é percebida e tem valor numa relação dialógica, intersubjetiva. Os sujeitos viam língua, constroem sentidos interativamente no discurso.
Assim sendo, considerar tais idéias da teoria enunciativa benvenistiana contribui, com certeza, para a formação do professor de língua e para o momento de ensino-aprendizagem porque este processo também será entendido como social, interativo, intersubjetivo e construído entre um eu (professor) e vários tus (alunos). Quer dizer, o ensinar e o aprender só acontecem quando são construídos socialmente. Não há como separar os dois pólos e pensar que alguém ensina e outros aprendem. Conforme Freire (1982, p.28), “Ninguém educa ninguém” porque cada indivíduo é sujeito de sua educação e isso se caracteriza por um a relação dialógica e interdependente. A partir disso, é necessário considerar o saber do aluno, muitas vezes, empírico com o saber científico que traz o professor, amalgamando-os, a fim de que o processo educativo seja construído pela relação social estabelecida na sala de aula. Isso será possível se o professor valorizar as subjetividades, o diálogo; se tiver um entendimento de que essas subjetividades têm como condição necessária de existência a intersubjetividade, expressada via língua, e que, nessa situação, constroem o sentido de educação mútua.
Portanto, acreditamos que a teoria da enunciação, caracterizada uma teoria da subjetividade na linguagem, pode contribuir significativamente na formação do professor de língua (estrangeira), pois pode ajudar na sua concepção de língua, linguagem, de sujeito, de sentido. Lastimavelmente, a teoria da enunciação, especificamente a teoria subjetiva de Benveniste, não é leitura freqüente nos cursos de graduação em Letras.

16 de outubro de 2011

Dia do Professor


Eu me lembro de você, PROFESSOR, eu me lembro e muito. A sua paciência, o seu amor multiplicado por quarenta,na doação sem limites, sem restrições. Mas eu não via, não sentia essas malhas de carinho que me envolviam, que me tocavam e se transformavam em luz. Eu recebia, mas não reconhecia você plantou uma semente dentro de mim, que agora eu sinto, germinou, cresceu, virou botão e floresceu. Mas só agora, quando a distância de você se conta em anos de vida, eu parei para pensar e a sua figura cresceu dentro de mim. Parece até que eu voltei a ouvir a sua voz e senti a sua presença em tudo que fiz, em tudo que vivi. Você foi o pegureiro das minhas ações, das minhas determinações. Foi sua voz que me levantou nas horas difíceis, que me deu novas forcas, que mostrou que cada dia é uma nova renovação...

8 de outubro de 2011

Um olhar sobre o livro "Linguística da Norma"


Objetivo do texto. Tem como objetivo de estudo a norma, considerando-a um elemento intermediador entre a variação e a mudança. Busca delinear a complexidade dos dialetos em contato com o ambiente do diassistema  Brasileiro, mostrando que o português no Brasil, nas suas variantes, reestrutura uma nova gramática. Tradição normativo-prescritiva. Nasceu da percepção da unidade do grego e desenvolveu um esforço pedagógico para fixar a língua em certo “ideal de pureza” para permitir o estudo dos escritores clássicos gregos e para que ele servisse de modelo a ser seguido, estabelecendo um vertente hegemônico, priorizando o estudo da língua escrita ignorando as variantes faladas. Variante dialetal. As fontes não clássicas para o conhecimento do diassistema latino fizeram com que a mudança da língua no tempo se conjugasse como dialetologia que estuda as variações especiais das línguas. Essas variações e mudanças não deixaram de ser uma das preocupações dos estudiosos da língua. A norma descritiva e a lingüística moderna . A lingüística moderna rompe com a tradição gramatical, quando propõe em um estudo dos seus axiomas a prevalência do falado sobre o escrito, ou seja, qualquer variante de uma língua passa a ser objeto de estudo, sem que uma seja mais importante que a outra. Rompe-se com a postura tradicional de que  só a variedade padrão escrita deve ser objeto da gramática, e esta, de Normativa passa a ser entendida como descritiva. O avanço da Sociolingüística. Esse avanço se funda na conceitualização da língua como sistema heterogêneo, que são fatores intra e extralingüístico, ou seja, fatores estruturais e fatores sociais como: classe, sexo, idade, etnia, escolaridade e estilo. O trabalho em a geração convivente permitiu a sociolingüística apreender mudanças ou difusão de mudanças na estrutura da língua. Sociolingüística contemporânea. A sociolingüística contemporânea explica que qualquer mudança diacrônica implica variação sincrônica. 

BAGNO, Marcos (org.). Lingüística da Norma, São Paulo. Loyola. 2002.

Resumo do livro "Por que (não) ensinar gramática."


Sírio Possenti nos leva à reflexão sobre a prática de ensino de Língua Portuguesa abordando desde o papel da escola até como trabalhar em sala de aula a partir da produção do aluno. Segundo o autor o objetivo da escola é o ensino do português padrão ou de criar condições pra que seja aprendido.
Do ponto de vista da escola, o ensino da norma padrão, trata-se em especial da aquisição de determinado grau de domínio da escrita e da leitura. Os grupos que falam uma língua ou um dialeto, em geral, julgam a fala dos outros a partir da sua e acabam considerando que a diferença é um defeito ou um erro. O preconceito é mais grave no que se refere às variedades de uma mesma língua do que na comparação de uma língua com outras. As razões são históricas, culturais e sociais. O papel da escola é de criar condições para que os alunos aprendam também às variedades que não conhecem, ou com as quais que não possuem familiaridade.
A proposta constituiria em trabalhar na escola com três tipos de gramáticas, a gramática internalizada (a que o aluno já conhece), a gramática descritiva (observações de ocorrências) e a gramática normativa (regras que devem ser seguidas). O que o aluno produz reflete o que ele sabe (gramática internalizada). A comparação sem preconceito das formas é tarefa da gramática descritiva. E a explicitação da aceitação ou rejeição social de tais formas é uma tarefa da gramática normativa.

5 de outubro de 2011


Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.

De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.

Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.

Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.

Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.

Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade lítero-humorística Petalógica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.

Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.

Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.

Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa.

Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.

No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.

Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.
Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete.
Publica, nesse ano, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
Torna-se diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia, no ano de 1889.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.
É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.
Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."
BIBLIOGRAFIA:
Comédia
Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Poesia
Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.
Romance
Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.
Conto:
Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.
Teatro
Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.
Algumas obras póstumas
Crítica, 1910.
Teatro coligido, 1910.
Outras relíquias, 1921.
Correspondência, 1932.
A semana, 1914/1937.
Páginas escolhidas, 1921.
Novas relíquias, 1932.
Crônicas, 1937.
Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.
Crítica literária, 1937.
Crítica teatral, 1937.
Histórias românticas, 1937.
Páginas esquecidas, 1939.
Casa velha, 1944.
Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.
Crônicas de Lélio, 1958.
Conto de escola, 2002.
Antologias
Obras completas (31 volumes), 1936.
Contos e crônicas, 1958.
Contos esparsos, 1966.
Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998
Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes.
Seus trabalhos são constantemente republicados, em diversos idiomas, tendo ocorrido a adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão.