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16 de julho de 2011

A linguagem na visão de Saussure.

Na visão de Saussure, a linguagem é um sistema composto por elementos que têm sua existência na interdependência entre eles. Isto é, o sistema funciona porque sua organização interna tem consistência. Não vale pelo que se pode comparar com os outros, mas pelo que é internamente. A importância está na diferença que o elemento faz no sistema, não em sua própria existência. Saussure usa como exemplo o jogo de xadrez. O jogo de xadrez. O jogo em 32 peças. E cada uma com determinada função. Elas não valem pelo seu desenho, matéria, ou acabamento, mas sim pela função que executam. Caso se perca uma das peças, nós poderíamos substituí-la por uma tampinha de garrafa, permitindo a continuidade do jogo. Então, precisamos de peças que preencham determinadas funções no sistema do jogo, certo? Outro exemplo, esse nosso, é o organograma de uma empresa. Se faltar um funcionário precisará ser substituído. O importante é ter alguém que desempenhe a sua função, para que a mesma não fique descoberta.
            Para Saussure, a língua funciona da mesma forma. Precisamos de elementos que cumpram determinados papéis dentro do sistema linguístico: elementos para designar objetos do mundo não linguístico, para marcar o plural, para marcar feminino e masculino, entre outros. Como foi mencionado, os elementos por si não são importantes. O que se necessita é que se marquem elementos.

            A perspectiva do olhar de Saussure é investigar, conhecer a linguagem por dentro, pelas possibilidades de relação entre seus elementos. É esse olhar que influenciará várias outras áreas da ciência que entendem seus campos de pesquisa como um “sistema”. Embora o termo estruturalismo tenha sido cunhado a partir da visão saussuriana, ele mesmo não usou esse termo, limitou-se a sistema
            Tentamos mostrar acima como Saussure entendia a linguagem no seu aspecto mais geral. Mas ele precisará pontuar detalhadamente como seria o funcionamento desse sistema. Essa pontuação se fará de forma bastante cartesiana, ou seja, sempre bipolarmente. Ele divide signo em duas partes significado e significante. Divide o estudo da lingüística em dois pólos: langue e parole; divide a langue em duas linha temporais: diacronia e sincronia, essa última, por vez se divide em associações paradigmáticas e sintagmáticas.    
            Outra dicotomia muito importante explorada por Saussure foi à divisão de langue (língua) e parole (fala). Para ele, a langue é homogênea, ou seja, cujas partes são ou estão solidamente e/ou estreitamente ligadas enquanto a parole, heterogênea. A língua é homogênea por ser um conjunto de signos exterior ao indivíduo. Seu uso, a fala, depende das escolhas do falante perante esse sistema, por tanto, idiossincrático. Essa idiossincrasia torna a langue um campo de estudos bastante complexo e imprevisível, uma vez que seria impossível acolher todas as possibilidades dadas aos falantes.
            A ciência pede como pressuposto de investigação, a recorrência do fenômeno, sua possibilidade de sistematicidade, o que foge ao escopo da fala. Isso fez com que Saussure optasse pela língua, em detrimento da fala, como objeto de estudos. Tal fato foi objeto críticas para Saussure, permitindo, inclusive o surgimento de outro campo de estudos que privilegiasse a fala, a sociolingüística parte da ciência que estuda dos aspectos sociais do uso da língua, especialmente das variações linguísticas que se dão no interior de um grupo, conforme as diferentes posições, funções ou circunstâncias dos indivíduos ou dos subgrupos de que estes fazem parte. Embora langue signifique “língua” em geral, como termos técnico Saussuriano fica mais bem traduzido por “sistema linguístico” e designa a totalidade de regularidades e padrões de formação que subjazem aos enunciados de uma língua. No entanto o termo “parole” designa “comportamento linguístico”.       A visão saussuriana da língua como um sistema de valores está intimamente associada à sua célebre frase: “na língua só existem diferenças”, ou seja, ela funciona sincronicamente e com base em relações opositivas (paradigmáticas) no sistema e contrastivas (sintagmáticas) no discurso.

CONCEITO DE LEITURA


O trabalho com leitura ainda se centra na decodificação do texto?Estudos nesse campo definiram o ato de ler, em si mesmo, como um processo mental de diversos níveis que contribui significativamente para o desenvolvimento do intelecto. É por intermédio da leitura que ampliamos o nosso processo cognitivo e o processo de linguagem, pois a leitura deve ultrapassar as barreiras da decodificação. Não importa apenas conhecer uma língua e seus códigos de registro escrito; é relevante compreender o contexto sociocultural, pois a leitura é um processo em que o leitor interage com o texto, visando a obter uma informação determinada para satisfazer os objetivos que o levaram ao ato da leitura (ABRAMOVICH) ("ler não é apenas uma atividade mecânica e descontextualizada, mas uma atividade vital, que precisa ser, desde cedo, plena de significação)".
O processo de leitura tem sido concebido por vários educadores, durante muitos anos, como algo adquirido pela memorização. Então, ensinou-se durante décadas a ler seguindo uma seqüência lógica de conteúdos. Primeiro aprendiam-se as letras do alfabeto, iniciando-se pelas vogais, encontros vocálicos, depois consoantes, famílias silábicas, formação de palavras, frases e, finalmente, a criança estava pronta para iniciar a escrita de textos, ou seja, copiar textos prontos e sem sentido. O trabalho com leitura centrava-se unicamente na decodificação do texto. Por isso, a escola formou uma grande quantidade de leitores que, embora decodificassem textos, mostravam-se inaptos para realmente compreendê-los.
Direito universal
É necessário que o educador promova condições para o aluno sentir prazer na leitura, o professor deve propiciar atividades significativas, ter o hábito de ler sempre, modificar os recursos para provocar prazer no ato de ler. "Lê-se para entender o mundo, para viver melhor, ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler na medida em que se vive, em nossa cultura quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode nem costuma encerrar nela" (LAJOLO, 1999).
É evidente que essa questão tem razões que estão sendo amplamente discutidas e que merecem reflexão por parte da sociedade em geral. Entretanto, é necessário pensar no profissional do ensino como um sujeito que tem a tarefa de ler e proporcionar o gosto pela leitura. Para formar leitores, é preciso que o professor tenha paixão pelo ato de ler, deve entender a leitura como fonte de prazer e sabedoria. Enquanto o professor não se posicionar de forma diferente continuaremos a ter aulas com tínhamos no passado e continuaremos ensinando pelo senso comum. Atualmente é possível observar que a leitura e a escrita estão ligadas no processo de formação do indivíduo, sendo, portanto as mesmas, foco de estudo e discussão, pois a questão está ligada na qualidade dessa formação, na identidade do sujeito. Sabemos que o acesso de todos à leitura é uma questão de direito universal. Mas para isso, precisamos repensar a maneira de fazer esse trabalho.
Novas identidades
Entendemos que a leitura é muito mais do que um instrumento inerente a escolar. Vemos a leitura como um veículo para a entrada na cultura escrita logo não podemos conceber uma cidadania plena sem a utilização da leitura. Mas o ato de ler na escola é ler para inserir-se na sociedade letrada.
A leitura não é somente a apropriação do ato de ler e escrever, ela acolhe o domínio de uma série de práticas culturais que abraçam um entendimento do mundo diferente daquele dos que não tem acesso à leitura. A leitura tem um papel tão relevante na sociedade que podemos dizer que ela cria novas identidades, novas formas de inserção social, novas maneiras de pensar e agir. E se não nos pautarmos nessa idéia estaríamos correndo na direção contrária à verdadeira funcionalidade da leitura.

LEITURAS DE NOVA ESCOLA

O discurso e suas implicações na ação docente

A reportagem "O blábláblá da educação", publicada pela revista Nova Escola na edição de dezembro de 2008, apresenta "as expressões que o professor usa sem saber o que significam". Logo, chamamos a atenção para os possíveis imbricamentos em apresentar essa reportagem em relação ao que de fato deveria ser mostrado. Assim, é essencial que nos perguntemos: quais as possibilidades que essa matéria oferta para a construção de um novo discurso? Na tentativa de (re)pensarmos os pontos discutidos, designo abaixo o texto dessa revista e como ele se edifica.
O texto em análise mostra algumas expressões usadas pelos professores, destacando palavras-chave e avaliando o texto, analisando sua coerência interna e originalidade, evidencia também qual a postura que os educadores e/ou escolas devem tomar acerca dessa problemática e os porquês não realizam esse trabalho.
Visão de formação
Todavia, essa matéria deixa entender que esses discursos usados por esses professores são algo relacionado ao despreparo dos mesmos, uma vez que a precariedade da formação dos educadores revela uma realidade pedagógica inadequada. Assim, a revista Nova Escola como agência de formação, que acompanha o professor há mais de duas décadas, toma esse posicionamento em divulgar uma matéria que denigre a imagem do professor e torna nosso entendimento no mínimo confuso, já que pensamos que o procedimento adequado seria a revista oferecer mecanismos, meios para que esses professores transformem suas ações equivocadas em ações inovadoras.
No entanto, a Nova Escola traça um perfil irresponsável do professor brasileiro, quando na verdade deveria construir pontes para que suas matérias propiciassem aos professores alternativas didático-metodológicas na execução de suas atividades como ações inovadoras para processo de produção do conhecimento, fazendo com que educadores e alunos trabalhem e produzam de forma coletiva. Deveria articular uma formação que aproxime o professor de língua portuguesa às mais recentes abordagens sobre a língua, à linguagem e aos diversos objetos a elas implicados e a seu ensino.
Desse modo, nos perguntamos se a visão de formação que nasce a cada matéria exposta por esse meio de comunicação constitui uma tentativa de refletir e construir a compreensão de objetos próprios do ensino/aprendizagem da língua materna?
"Discurso vazio"
Agindo dessa forma, com a escolha de seu discurso, a revista menospreza todo processo de discussão que permitiu que saíssemos do período obsoleto e monótono que aplacava nossos professores na antiguidade. E nos remete a idéia de professor que foi construída às margens do mercantilismo e que já era observada por Geraldi (1991: 88), que diz que o professor se constituirá socialmente como um sujeito que domina certo saber, ou seja, o resultado do trabalho científico, a quem tem acesso em sua formação sem se tornar ele próprio produtor de conhecimentos (...) sua competência se medirá pelo seu acompanhamento e atualização (...). Como se trata de achar um modo de transmitir, com certa facilidade, as informações colhidas no estudo dos resultados da pesquisa, (...) e, principalmente, a compreensão destes resultados como definitivos, cristalizam como verdade o que é apenas uma verdade dentro de certa perspectiva.
Nesse momento nos perguntamos: que idéia de identidade a revista Nova Escola mantém sobre professor? E qual sua real atuação nesse processo de formação docente? Entendemos que essa preocupação acerca da formação de professores nasce da necessidade de melhorar a qualidade educacional. Contudo, entendemos que essa formação tem sido freqüentemente observada a partir de critérios que a priori visam estabelecer um perfil desejável de profissional em um quadro de atribuições práticas genericamente delineadas.
Seguindo esse pensamento, vemos claramente que a proposta de uma formação docente é direcionada às estruturas da atual sociedade, que se pauta pelo sistema neoliberal, o qual busca a construção de sujeitos de forma homogenias, iguais na procura da produtividade. Quando a matéria em questão recebe o título de "Discurso Vazio", nosso raciocínio nos direciona a outras possibilidades, como a idéia de que tal discurso está cheio, repleto de implicações sobre as ações docentes e suas formações de um modo geral.

Leitura e escrita nas páginas de Nova Escola

A revista Nova escola, na sua edição de nº 221, de abril de 2009, traz uma matéria muito interessante no que diz respeito à leitura e à escrita, intitulada "Ler para escrever". Entretanto, muito interessante é o modo pelo qual é abordada essa temática. Elenco quais os objetivos da revista em relação a essa matéria: reconhecer o ato de ler como fonte para produção textual; e reconhecer, organizar e utilizar nas produções os recursos linguísticos presentes no texto.
Na matéria, a revista aborda a leitura como reflexão para aquisição da escrita, indica leituras de contos infantis, além de expor tópicos que podem ser fontes para a solução de possíveis problemas nesse campo, e cita que um método interessante é recorrer a outros textos e outros autores. Essa mídia destaca ainda pontos que corroboram sua posição sobre o assunto. Pensamos que antes de enumeramos tópicos que designe o modo de trabalhar a leitura e, consequentemente, a produção de texto é necessária, termos outros cuidados.
Entendemos que antes desse processo de enumeração onde define pontos que orientam o professor a realizar sua atividade docente, as agências de formação e o próprio educador devem preocupar-se em dominar seus conhecimentos sobre o que é linguagem e o que é ensinar e aprender. Para que a tentativa de formar leitores não seja uma tentativa frustrada, pois compreendemos (Abramovich) "para que o processo da leitura não seja tomado apenas como uma atividade escolar a mais, mecânica e descontextualizada, mas uma atividade vital, que precisa ser, desde cedo, plena de significação". Para que o trabalho com leitura não seja centrado na idéia que a leitura é apenas uma decodificação de texto.
Processos de ensino e aprendizagem
Pois não desejamos que a escola forme sujeitos leitores que apenas decodifiquem textos e sejam inaptos para realmente compreendê-los. Concordamos com Bronckart quando diz que "os textos são produtos da atividade humana e, como tais [...], estão articulados às necessidades, aos interesses e às condições de funcionamento das formações sociais no seio das quais são produzidos". Também concordamos inteiramente com a revista quando diz que o professor deve procurar novos meios de pesquisa para provocar no aluno um interesse maior em ler e, consequentemente, no ato de produzir, porém é relevante que o aluno compreenda que a linguagem vai além do ato de se comunicar. Como diz Fiorin: "A primeira função da linguagem não é ser representação do pensamento ou instrumento de comunicação, mas expressão da vida real."
Portanto, é relevante ao professor entender que, antes de explorar os elementos que participam da construção do texto, é necessário que defina o que é gênero textual, e que o mesmo se dá de diversas formas de linguagem que circulam socialmente, sejam formais ou informais, como podemos, citar: romance, artigo de opinião, o conto, a piada, a palestra, a aula etc. Logo percebemos que talvez seja essa falta de conhecimento com os gêneros textuais, talvez seja esse distanciamento com as características de cada gênero, que faça os alunos ainda produzirem de forma tão tímidas. Pois, segundo a revista, muitos docentes se interrogam por que as composições dos alunos são tão curtas.
A revista mostra que contar histórias infantis é um mecanismo eficaz para a formação de leitores e escritores e não estamos contra essa idéia, pois podemos constatar o quanto é importante na formação de qualquer criança ouvir muitas histórias. Assim, de acordo com Abramovich (1994), "escutar histórias é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter todo um caminho de descobertas e de compreensão do mundo, absolutamente infinito". Porém, minha preocupação é que os educadores tenham pleno conhecimento do trabalho que executam e que conheçam os processos de ensino e aprendizagem para ofertar mecanismos ao seu aluno, à medida que ele seja o dono do seu próprio saber, desenvolvendo assim habilidades no mundo da leitura e da escrita.

A relevância da literatura infantil.

   É no encontro com qualquer forma de Literatura que os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida. Nesse sentido, a Literatura apresenta-se não só como veículo de manifestação de cultura, mas também de ideologias.
   A Literatura Infantil, por iniciar o homem no mundo literário, deve ser utilizada como instrumento para a sensibilização da consciência, para a expansão da capacidade e interesse de analisar o mundo. Sendo fundamental mostrar que a literatura deve ser encarada, sempre, de modo global e complexo em sua ambiguidade e pluralidade.

O conhecimento de rudimentos básicos de teoria literária [...], pois a literatura é a arte da linguagem e como qualquer arte exige uma iniciação (COELHO, 2000, p. 40).

  Até bem pouco tempo, em nosso século, a Literatura Infantil era considerada como um gênero secundário, e vista pelo adulto como algo pueril (nivelada ao brinquedo) ou útil (forma de entretenimento). A valorização da Literatura Infantil, como formadora de consciência dentro da vida cultural das sociedades, é bem recente.
  Para investir na relação entre a interpretação do texto literário e a realidade, não há melhor sugestão do que obras infantis que abordem questões de nosso tempo e problemas universais, inerentes ao ser humano. "Infantilizar" as crianças não cria cidadãos capazes de interferir na organização de uma sociedade mais consciente e democrática. A literatura infantil brasileira só veio surgir no século XX, muito embora ao longo do século XIX reponte registrada aqui ali, a notícia do aparecimento de uma ou outra obra destinada a crianças. Mas foi no século XX que o movimento se torna propício para o aparecimento dessa literatura. Gestam-se aí as massas urbanas, que além de consumidoras de produtos industrializados, vão constituindo os diferentes públicos, para os quais se destinam os diversos tipos de publicações como: as sofisticadas revistas femininas, os romances ligeiros, o material escolar, os livros para crianças.
  A literatura infantil é funcional, não podemos, portanto, estudá-la dissociada do seu leitor, que é a sua razão de ser. Enquanto o escritor pode produzir emoções diferentes, e uma mesma situação ou um mesmo personagem ser interpretado diferentemente, no livro infantil tem destino marcado recrear a criança, educando, se possível, e favorecendo o desenvolvimento de sua inteligência.
   O caminho para a redescoberta da literatura infantil, em nosso século, foi aberto pela Psicologia Experimental que, revelando a inteligência como um elemento estruturador do universo que cada indivíduo constrói dentro de si, chama atenção para os diferentes estágios de seu desenvolvimento (da infância à adolescência) e sua importância fundamental para a evolução e formação da personalidade do futuro adulto. A sucessão das fases evolutivas da inteligência é constante e igual para todos. As idades correspondentes a cada uma delas podem mudar, dependendo da criança ou do meio em que ela vive.
  O impulso de contar histórias dever ter nascido no homem, no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para todos. Não há povo que não se orgulhe de suas histórias, tradições e lendas, pois é a expressão de sua cultura que deve ser preservada. Concentra-se aqui a íntima relação entre a literatura e a oralidade. A literatura infantil, por iniciar o homem no mundo literário, pode ser utilizada como instrumento para a sensibilidade da consciência, para a expansão da capacidade e interesse de analisar o mundo. Sendo fundamental mostrar que a literatura precisa ser encarada sempre de modo global e complexo em sua ambiguidade e pluralidade. É no encontro com qualquer forma de literatura que os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida. Nesse sentido, a literatura apresenta-se não só como veículo de manifestação de cultura, mas também de ideologias.
   Para investir na relação entre a interpretação do texto literário e a realidade, não há a melhor sugestão do que as obras que abordam questões de nosso tempo e problemas universais, inerentes ao ser humano. Por isso, o folclore tem sido a grande matriz da literatura infantil, não só pelo fabuloso, mas pelo trato dos assuntos e talvez por aquelas semelhanças entre a mentalidade infantil e a primitiva, em que os seres sobrenaturais como: bruxas, ogros, gigantes, o animismo (que humaniza todas as coisas), as estórias de bichos faladores, todo esse mundo uma permanente atração para as crianças.
Por isso, há necessidade de adaptação televisiva onde o mundo mágico de Monteiro Lobato e o seu “Sítio” eram presenças constantes nas fantasias de milhares de crianças e adultos.
   Mediante esses fatos, podemos dizer que o fantástico está presente na obra em estudo, pois como diz Selma Calazans Rodrigues (1988:09) em seu livro, o Fantástico: “O Fantástico refere-se ao que é criado pela imaginação, o que não existe na realidade, o imaginário, o fabuloso”. É o que podemos perceber na aparição de alguns personagens do Sítio do pica-pau amarelo, em que Sacis nascem numa mata de bambus, e criaturas fantásticas aparecem para brincar onde até Branca de Neve esteve lá, oferecendo um jantar maravilhoso para o gato de botas, no pomar de Dona Benta, com a presença de todos os personagens das fábulas do conto de fadas.
  Portanto, de acordo com o que foi citado, o fantástico é algo que foge ao natural, ou seja, são coisas que só acontecem na imaginação, por isso, são irreais. Nesse Sítio cabia de tudo, desde contos da carochinha até a mitologia, como Hércules, desde o saci e a cuca fazendo parte do nosso folclore até o Marquês de Rabicó e o Burro Falante, porque todos eles fazem parte dos seres sobrenaturais.
  Então, em relação à literatura infantil podemos dizer que seu fim é emocionar artisticamente a criança pelo sublime, pelo pitoresco ou pela aventura, e ao mesmo tempo desperta-lhe a imaginação, aperfeiçoar-lhe a inteligência e aprimorar-lhe a sensibilidade.
  Muitos estudos sobre a literatura infantil de Monteiro Lobato são unânimes em afirmar que o sucesso das histórias e estórias do Sítio do pica-pau amarelo junto às crianças leitoras reside no fato primeiro do autor/narrador combinar naturalmente fantasia e realidade procedendo de igual maneira às operações mentais da criança no ato de brincar. Realmente não existe constatação mais acertada, pois segundo Nelly Novaes Coelho:
O sucesso entre os pequenos leitores decorreu, sem dúvida, de um primeiro e decisivo fator: a realidade comum e familiar à criança, em seu cotidiano, é subitamente penetrada pelo maravilhoso ou pelo mágico, com a mais absoluta verossimilhança ou naturalidade. (1981:356).